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  • Maria do Mar Vieira

Está tudo bem se não correr bem




Está tudo bem se não correr bem. É aquilo que tento dizer a mim própria. Estou triste, sinto-me mal por não ter conseguido. Sinto que falhei.

Este fim de semana ia fazer um workshop de dança noutra cidade. Tive uma crise à entrada. A ansiedade apoderou-se de mim. Tive medo de entrar e de toda a gente olhar para mim. Mas foram simpáticos e deixaram-me entrar por trás para não ter de entrar pela frente da sala. Depois disseram-nos para irmos para o palco, que ia começar. Não me consegui levantar, a sorte foi uma rapariga muito querida ter vindo ter comigo e me ter levado com ela para o palco. Consegui aguentar-me a manhã toda. Depois veio a hora de almoço. Estava triste e ansiosa. Mas voltei a entrar novamente à tarde. Estávamos a aprender uma coreografia. Éramos muitos e estavam todos a treinar a coreografia por si. A ansiedade voltou. As pessoas mexiam-se, cada uma por si, uma fazia uma pirueta para um lado, outra para o outro, outra estava no chão, fiquei perdida. Às vezes vinham ter contra mim, afastava-me. Não sabia o que fazer. Gosto quando as coisas estão organizadas e fazem tudo ao mesmo tempo. Estava uma grande confusão. A música estava cada vez mais alta na minha cabeça. Os encontrões pareciam fogo a queimar-me. A minha cabeça não conseguia focar-se. Não conseguia fazer a coreografia. Não me conseguia mexer. As lágrimas começaram a escorrer. Tentei. Eu juro que tentei controlar-me. Eu juro que tentei continuar. Mas não consegui. Saí a chorar, com a minha cabeça a latejar. Cheguei ao hotel e adormeci exausta e entre lágrimas. Nunca mais voltei, nem ontem nem hoje. Agora, já na minha casa, ainda me sinto culpada de não ter conseguido. Sinto que desiludi as pessoas à minha volta. Sinto que devia ter aguentado até ao fim. Mas a verdade é que não aguentei e se não aguentei era porque estava mesmo no limite e não dava mais. E está tudo bem. O importante é que tentei. Não correu bem mas tentei. Mesmo sabendo das probabilidades de não correr bem, eu fui na mesma. Podia simplesmente ter ficado em casa mas não. Quis tentar superar este desafio. Não consegui mas não faz mal. Está tudo bem. Para a próxima irei tentar de novo. Só se tentar é que saberei se consigo e só tentando é que vou conseguir superar os desafios. Se não conseguir, está tudo bem na mesma. Lembrem-se disto. Não deixem de fazer as coisas apenas porque pode correr mal. Está tudo bem não conseguir. Foi sinal que tentaram e isso é o mais importante.

Queria agradecer à minha mãe por acreditar sempre em mim e por me ter acompanhado este fim de semana. Não correu como queríamos mas sem ti não teria sequer tentado.

Queria agradecer também à Francisca, pois foi ela que me conseguiu levar para o palco e agradeço também à Diana, à Joana e à Cátia, porque sem todas elas não teria aguentado até onde aguentei.

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