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  • Maria do Mar Vieira

Inclusão No Mercado de Trabalho


Foto de Miguel Silva

Recentemente fui a um evento sobre Inclusão.

Fiquei chocada com a grande Falsa Inclusão que existe e o quão convictos eles estão de que isto é que está certo. Desde o primeiro segundo que me senti tão desconfortável que só me queria ir embora. Era tudo tão Falso.

Juntar todas as pessoas com deficiência e criar um café só para elas trabalharem. E depois, muito felizes, dizem que os clientes falam com essas pessoas. Porque não haveriam de falar? Não são pessoas como as outras? Não têm os mesmos direitos que os outros? E porque não podem trabalhar juntamente com as pessoas sem deficiência? Porque têm de ser vistos como os meninos especiais e muito corajosos que ali trabalham? Porque têm de fazer algo que se calhar nem gostam assim tanto? Porque têm de desperdiçar as suas capacidades?

Isto é que é inclusão? Entristece-me ver que a sociedade pensa que isto é que é inclusão. Porque naquele evento só vi pessoas a bater palmas, muito sorridentes, concordando com tudo e dizendo ‘Que lindo, que projeto incrível!’. Não vi ninguém a refletir ou a questionar esta inclusão. Além de que sendo um evento sobre inclusão, não achei que ele fosse tão inclusivo assim, não achei que tivesse as melhores condições para receber uma pessoa autista, por exemplo. Estavam todos mais preocupados em tirar fotos e a forçarem a simpatia e empatia, tudo só para serem bem vistos.

Inclusão não é segregação, onde juntam todas as pessoas com deficiência, à parte de todas as outras pessoas, e as tratam quase como crianças, como se não tivessem capacidades nem livre arbítrio.

Inclusão não devia ser termos a oportunidade de trabalharmos todos juntos, havendo as condições e acomodações necessárias para todos conseguirmos trabalhar no mesmo local? Inclusão não devia ser usarmos as nossas capacidades da melhor forma e não sermos forçados a fazer algo que nem gostamos assim tanto porque partem do princípio que não somos capazes? Inclusão não devia ser sermos tratados como pessoas, como seres humanos e não como coitadinhos e seres especiais?

Inclusão não devia ser termos as acomodações que precisamos como podermos usar fones de cancelamento de ruído, ter pausas para recuperarmos, ter a luz ajustada à nossa sensibilidade, ter uma rotina muito bem planeada e organizada, ter a possibilidade de teletrabalho, explicarem-nos as tarefas de forma direta e com antecedência, entre outras. É assim tão difícil criar um ambiente confortável para nós? É difícil reunirem connosco e perguntarem-nos o que precisamos? São pequenas alterações que melhoram a nossa qualidade de vida.

Nós somos capazes de trabalhar em variados locais e com várias pessoas. Podemos ter certas dificuldades, mas temos muitas capacidades também! Só precisamos das condições certas. Nós queremos trabalhar convosco. Nós queremos ter um trabalho como qualquer pessoa tem. Não queremos ser excluídos nem queremos ser separados e trabalhar à parte.

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