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  • Foto do escritorMaria do Mar Vieira

Orgulho Autista




Hoje, dia 18 Junho, celebra-se o Dia do Orgulho Autista. É dia de nos celebrarmos e de nos amarmos. É dia de mostrarmos quem somos e de não termos vergonha de ser quem somos. É dia de mostrarmos que existem muitas capacidades e pontos positivos, e não só coisas negativas. É dia de mostrarmos que temos orgulho em nós e que somos felizes assim!

Mas hoje não foi um dia assim. Acordei em Shutdown, não me consegui levantar e as lágrimas escorriam-me pelo rosto sem parar. A verdade é que já me sinto assim há uns dias. Há alturas difíceis em que duvidamos de tudo. Principalmente de quem somos. Será que sou forte o suficiente? Será que vou ter uma vida estável? Porque é que não sou capaz? Porque sou a pior pessoa do mundo? Porque nunca irei ser ninguém na vida? Porque não sou boa o suficiente? Porque é que sou assim? Porque me odeio? Todas estas perguntas vêm à cabeça sem resposta. E torna-se um ciclo vicioso do qual não conseguimos sair.

Hoje a Associação Portuguesa Voz do Autista organizou um evento e eu estava muito feliz por estar presente e ir dançar. Fiquei revoltada por não me ter conseguido levantar. Fiquei triste por não ter estado com a minha comunidade linda. Fiquei triste por não dançar para eles. Mas a verdade é que só queria estar sozinha no meu canto a chorar.

Chorei durante horas sem parar. Deitada na minha cama, abraçada a uma peça de roupa que me traz conforto. Pus uma música calma que me relaxa. E a minha mente viajou. Hoje é Dia do Orgulho Autista. Eu sou Autista. Aquilo por que eu estou a passar neste momento faz parte de ser autista. Shutdowns, desregulações emocionais, ansiedade. Isso é ser Autista. E não há que ter medo e vergonha de ser assim. Eu aceito-me tal como sou. Sou Autista e isto faz parte de mim e sempre irá fazer. Há momentos assim e sempre irão haver. Tenho de os aceitar e abraçar. Nunca os tentar afastar de mim, isso seria rejeitar quem eu sou. Eu sou forte, já passei por isto milhares de vezes e sempre consegui ultrapassar. É só mais um desses momentos.

Pus a música mais alta, levantei-me finalmente passadas horas. Deambulei pelo quarto, dei uns passos de dança, olhei-me ao espelho e disse para mim própria ‘Eu Consigo’.

Limpei as lágrimas, arranjei-me, vesti a T-shirt da Neuro-Diversidade, sorri e tirei muitas fotos com ela.

Eu aceito ter estes momentos, tal como aceito os momentos felizes. O Autismo não são só coisas más. Há momentos muito felizes, sou grata por eles. Mas também estou grata pelos momentos maus. Sem eles não aproveitava tanto os momentos bons, não os abraçava com tanta força, não tentava apreciar tudo à minha volta com tanta intensidade.

Ser Autista é saber que temos dias muito difíceis, momentos que só queremos desaparecer, mas que somos resilientes e corajosos para continuar em frente, não desistir e viver sempre ao máximo os momentos felizes.

Por isso agora celebro. Feliz Dia do Orgulho Autista para Todos!

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