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  • Maria do Mar Vieira

Passagem de Ano



"Acabei de ler o teu último post. Lembrei os nossos fins de ano e penso no que deves ter sofrido."


Recebi agora esta mensagem da minha avó. E chorei ao ler. Saber que finalmente a minha família me entende é a melhor prenda que poderia receber.

Os fins de ano sempre foram caóticos. Muitas pessoas, muita socialização, mudanças de rotina, confusão. Mas saber que iam sempre as mesmas pessoas e que a comida era sempre igual era algo que me tranquilizava e me dava segurança. O que mais gostava era quando punham música e podia dançar. Finalmente não tinha de falar com pessoas. Podia só dançar e essa era a minha maneira de socializar com as pessoas. Arranjei na dança a minha forma de me refugiar e interagir. E eu dançava durante horas, sem nunca parar um segundo, até ficar completamente exausta. E aí eu ia para a cama. Cansada de estímulos e sobrecarregada. Mas graças à dança aguentava mais horas do que habitualmente conseguiria aguentar.

Ao longo dos anos algumas pessoas deixaram de ir, e habituar-me a isso foi algo difícil. Não compreendia porque as pessoas que costumavam estar sempre lá, já lá não estavam. Os meus primos cresceram e iam passar o fim de ano com os amigos. Mas aquilo deixava-me confusa. Não podiam estar com os amigos noutra altura? Porque tinham de faltar? Aquilo trazia-me desconforto. Mas tive de me habituar a essa mudança. E à mudança de em alguns anos a minha família já não querer dançar e eu ter de os obrigar a isso. Porque ano novo sem dançar, seria só sofrimento, desconforto e insegurança. Não ter aquele refúgio seria um grande tormento.

Vamos lá ver quem serão as pessoas que vão este ano. Espero que sejam as mesmas. E haverá muita dança, quer queiram ou não! Ter uma família que nos compreende é a melhor coisa que me poderia ter acontecido, e estou grata por ter a família que tenho. Obrigada a todos, por dançarem mesmo que não queiram. Obrigada por tornarem o ano novo um pouco mais tranquilo.

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