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  • Maria do Mar Vieira

Atypical



Atypical é uma série norte-americana que conta a história de um rapaz de 18 anos, Sam, diagnosticado com autismo de alta funcionalidade.

É uma série bastante realista que retrata o dia a dia de um autista e onde se percebem as dificuldades que este sente no seu dia a dia: na escola e no trabalho. Vemos a transição do secundário para a faculdade e as preocupações e desafios que ele precisou ultrapassar.

Vêm-se as diferentes perspectivas em relação ao autismo, não só de Sam mas também dos seus pais e da sua irmã, e as diferentes formas como cada um deles lida com a situação.

São apresentadas algumas características comuns a muitos de nós, autistas, como a dificuldade em compreender os sentimentos e emoções dos outros, altos níveis de ansiedade diante do desconhecido, hipersensibilidade auditiva, interesses específicos (no caso de Sam, o seu interesse é a Antárctida e tudo o que com ela se relaciona), a necessidade de ter regras e de as cumprir e as estereotipias e pensamentos repetitivos.

É uma série fantástica com a qual me identifiquei em inúmeros aspetos. Percebi que não sou a única a pensar ou sentir certas coisas e a agir de determinada maneira. Muitas pessoas como eu vão identificar-se também, e perceber que não estão sozinhas nesta longa e difícil caminhada. Os não autistas irão compreender muitas coisas acerca do nosso mundo.

Eu estou a compreender melhor os meus pais, e a forma como agem comigo nalgumas situações. Nunca me tinha posto no seu lugar, percebo-os agora muito melhor.

Esta é, também, uma série muito inspiradora porque dá o exemplo de um autista que consegue ir para a faculdade e que, apesar de todas as dificuldades com que aí se depara, tem sucesso, fala em frente a uma grande plateia, e que, embora tendo dias maus como todas as pessoas, no dia seguinte está pronto a enfrentar novos obstáculos e superar tudo. Descobre que é corajoso e que pode ser independente. Esta série está a ser para mim um grande incentivo para continuar o caminho que me propus percorrer. Está a mostrar-me que não estou sozinha, que não sou a única e que, também eu, vou conseguir ir para a faculdade. Sim, eu tinha medo e achava que nunca iria conseguir tirar um curso superior, que era algo impossível. Eu sentia uma grande frustração por não concluir os estudos e não ter um emprego. Mas se o Sam conseguiu, eu também vou conseguir! E estou motivada, não só para continuar a enfrentar os desafios diários mas também para lutar por mim e por nós.

Esta série também retrata o bullying que sofremos ao longo da nossa vida. Somos constantemente vítimas da desinformação sobre o autismo, somos incompreendidos e postos de parte, somos alvo de chacota por sermos diferentes. É triste, mas é esta a realidade que enfrentamos todos os dias, é este o nosso dia a dia.

Aconselho toda a gente a ver esta série. pois tem também o objetivo de consciencializar a sociedade para a realidade das pessoas com autismo, tornando visíveis os obstáculos que têm de ultrapassar mas também as suas vitórias, desmistificando e apelando à reflexão.

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