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  • Maria do Mar Vieira

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Atualizado: Mar 30



Hoje vou falar-vos de pequenas coisas que eu faço ao longo do meu dia. Eu achava que fazer estas coisas era normal mas só há relativamente pouco tempo em conversa com a minha família percebi pelas suas expressões e pelas suas caras que afinal isso não era algo que toda a gente fizesse.

Sempre que entro numa sala conto o número de mesas e cadeiras que existem. Ou o número de pessoas, dependendo da situação e do tempo que tenho para fazer isso.

Posso pôr-me a contar o numero de azulejos de uma parede, agrupando-os normalmente em grupos de dois ou mais. Mesmo que estejas a falar comigo e eu estiver somente a ouvir, eu estou a fazer isto. Tudo o que possa ser contado, eu conto mas conto apenas por grupos ou padrões e não na sua totalidade. Por exemplo não conto 30 azulejos mas sim 4 azulejos mais 4 azulejos e assim sucessivamente.

Faço o mesmo com as palavras e as frases. Conto o numero de letras de cada uma das palavras e agrupo-as duas a duas. Quando sobra uma letra, essa junta-se a outra letra que tenha sobrado de outra palavra até todas as letras terem par. Se mesmo assim sobrar uma letra passo a agrupa-las três a três. É algo que adoro fazer e faço automaticamente sem sequer pensar naquilo. Podes estar a falar comigo que eu estou a fazer isto e ao mesmo tempo a ouvir tudo o que me dizes.

Se estiveres a usar um colar ou brincos ou a tua camisola tiver algum desenho atractivo para mim, eu começo a desenhar a forma do teu acessório ou o desenho mesmo da tua camisola no céu da minha boca com a minha língua. Ou se vir algum objecto ou forma que me chame a atenção também faço isto. Não sei porque o faço mas sempre me lembro de fazer isto.

Quando estás a falar comigo eu estou a fazer isto tudo. É praticamente tão natural e automático para mim que nem dou conta que o faço mas a verdade é que não consigo não o fazer. Podes achar estranho mas eu estou super atenta ao que me estás a dizer. Provavelmente não estou a olhar para ti nos olhos porque isso me faz confusão mas fixo um ponto perto dos teus olhos, normalmente um acessório, colar ou brincos nas raparigas, que normalmente brilham e isso fascina-me. Os reflexos do brilho são algo incrível e encantador. Depois fico a desenhar a forma disso no meu céu da boca. De vez em quando olho para outros pontos à minha volta para não parecer que estou a olhar fixamente para ti. E aí reparo nos candeeiros, cadeiras, azulejos e tudo o mais que posso contar e entro no fascinante mundo dos números. Vou olhando de vez em quando para ti para não estranhares mas depois reparo em algo escrito numa parede ou um cartaz ou folheto e vejo palavras! E começo a agrupa-las duas a duas. E assim sucessivamente.

Não sei como consigo estar atenta ao que me dizes mas a verdade é que estou! Talvez estas pequenas coisas me ajudem a concentrar e ouvir-te melhor. Porque se não as fizer sinto-me vazia e incompleta. É como se faltasse ali qualquer coisa.

Disseram-me que se calhar é por isso que ao fim do dia estou tão cansada. Porque o meu cérebro está sempre a trabalhar, sempre que estou com alguém estou a fazer estas coisas todas. Quando estou sozinha mais tempo tenho e posso-me focar a 100% nestes pequenos pormenores que adoro fazer. É algo fascinante mesmo. A verdade é que preciso deles no meu dia a dia. Posso chegar ao fim do dia completamente exausta e sinto a minha cabeça muito pesada e cansada mas prefiro sentir este cansaço ao fim do dia do que sentir que algo me falta. Porque na realidade estas pequenas coisas fazem parte de mim e do meu mundo. E eu adoro-as e fazê-las é algo muito tranquilizante e que me encanta bastante.

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